- Vou amar-te para sempre.
dizias, e o teu rosto tinha luz.
Mas o amor a não ser uma promessa. Quando me juravas amar para sempre eu sorria, quase feliz, mas haviam sombras, incredulidade, a maior mentira da civilização.
O amor não se promete, meu querido. Não se pode prometer algo que não sabemos conseguir cumprir. E isso é justo, é certo, é bonito. O amor dura apenas o tempo que lhe for possível durar, quando se o garante ele deixa de existir, porque a sua forma mais pura tem alicerces na verdade, na honestidade, e a afirmação de que ele vai durar para sempre é em si própria já uma mentira.
Seria da maior ternura e lealdade teres-me dito que me ias amar enquanto eu te fosse real, notável e especial, e isto eu saberia respeitar, e amar-te-ia mais ainda, se fosse possível.
Se fôssemos como a maioria das criaturas o nosso amor duraria uns meses, e que ninguém duvidasse da sua intensidade, porque ela seria genuína e autentica, embora transitória e fugaz. Se nos tivéssemos realmente dentro do peito um do outro, estaríamos um para o outro durante alguns anos, depois a vida acontecia e nós teimávamos em não querer sequer saber aquilo que nós tínhamos acontecido à vida. Separávamo-nos com um beijo e um até já. Na melhor das hipóteses, se nos amássemos verdadeiramente, seria a morte a levar o nosso amor para outros campos. De qualquer forma, como vês e tão bem sabes, o amor tem sempre um fim. Não é eterno nem imperecível. É débil e frágil. E só tem importância pela sua fraqueza.
Se o amor fosse uma promessa, de que magia seria feito?
Só o amor que não sabe o que é o amor pode ser amor real, completo.
De ti, meu querido, não quero promessas de amor eterno. Só quero a tua garantia de verdade e honestidade. Se novamente te ouço
- Vou amar-te para sempre.
Então despeço-me com um beijo, ausento de mim a tua vida, e dentro só desilusão, decepção e mentira, porque quem ama não mente e tu terás acabado de me enganar com a maior mentira da história da civilização.