06 setembro 2011

o sexo é o caos

o sexo é o caos. na maioria das vezes é de uma violência extrema, que chega mesmo a roçar o sadomasoquismo, ainda que os intervenientes não se apercebam desse facto.
é uma vingança quase, uma marcha imperial, um redobrar de esforços para estilhaçar seja o que for que nos tenha feito o coração em cacos tão pequeninos que já não os conseguimos apanhar.
o sexo, por sexo, é animal, é grotesco. pode matar mais por dentro do que a bala de um canhão, é capaz de destruir, de arrebanhar, de sacrificar.
fica muitas vezes a sensação vazia de que se o fez porque tinhamos dentro uma raiva imensa, uma necessidade desumana de explodir, de libertar, de amordaçar o peito e escancarar desejos.
o sexo, quando é só isso mesmo e mais nada, pode curar, pode aumentarnos o ego e elevá-lo a uma altura que se aproxima dos deuses, pode dar-nos a sensação destemida de que o resto que se foda, que vale tudo, que nada vale, ou que tudo se perde quando se pensa descobrir. é um bicho papão, o sexo. um bicho papão que tem abraçado a si o joão pestana, uma vontade de ser mais, de querer mais, de prosseguir, de criar a ilusão de que tudo o resto são tangas e balelas dos filmes, musica e livros.
o sexo pode ser um factor de aumento ou de uma redução tão singular que muitas das vezes perdemos a memória de como efectivamente começou.
mas depois dá-se-lhe a volta e ele faz todo o sentido, afinal que pode ter mais sentido do que ser-se comummente animal?
mas depois há alturas em que as coisas se misturam, em que se deixa o discernimento para outro dia e os sorrisos começam a invadir a nossa cabeça assim, sem mais nem menos. e acabamos sempre com a mesma constatação que mata quase tanto como o sexo em si: é só sexo, então porque tenho estas coisas, palavras, rostos, memórias desconexas e vontades encriptadas a cirandar na minha cabeça? aii, mau maria!
e em boa verdade o final é sempre quase o mesmo, uma pessoa anda ali ás voltas com aquilo na mente durante uns tempos, depois as vontades vão passando e pensamos redescobrir as maravilhas vingadoras do sexo por sexo, julgamos que se arranjarmos em quem despejar este medo e esta confusão com o mesmo método, a coisa há-de ir ao sitio, e depois nada... depois com sorte (azar...sorte...azar...s...a...pim-pu-neta,pitá-pitá-pituxa...) acabamos com a cabeça embrulhada noutro corpo qualquer e juramos a pés juntos que o sexo é caos, é uma mentira, é uma vingança e continuamos estrada fora, com aquele olhar preso nos autocarros, nos cartazes da rua, nas pessoas que nos dizem "bom dia!".

sim... o sexo é o caos, o resto não passa de literatura.

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