30 junho 2012

As melhores pessoas

As melhores pessoas do mundo são as que estão metidas no avesso da minha vida. Aquelas que têm etiquetas gastas, as que se colam à minha pele, as que têm costuras em relevo de encontro aos meus poros.

Essas pessoas estão lá (aqui), em resultado de uma série de casualidades que se transformaram em inevitabilidades. Gosto que tenham esbarrado com a minha respiração e eu com a delas, e que a certa altura tenham decidido que queriam ficar tanto quanto eu as queria manter, e se foram deixando encostar ao meu peito como quem se sente, finalmente, em casa.

São as melhores de fundo, e as mais bonitas de alma. Ninguém é mais desoladoramente bonito quanto as criaturas que trago por dentro, porque se lá estão, continuam e sobrevivem à passagem e erosão do tempo, espaço e outros conhecimentos, é porque têm em si mesmas um brilho diferente, aquele que trazem os que sabem o preço da ternura, saudade e palavras.

Tenho medo. Um medo atroz de que me sejam roubadas, que partam para outros lados sem que eu tenha tempo de lhes dizer adeus. Medo inquietante de que sejam elas a ir antes de mim. Medo de não suportar a ideia de que serei, de modo inevitável, obrigada a sobreviver sem elas, sobre elas, apesar delas.

As melhores pessoas do mundo são as minhas. São as que sabem que são as minhas pessoas preferidas, independentemente daquilo que digam, façam, errem ou acertem. São as mais inteligentes, interessantes, divertidas e completas. São as que têm falhas, corações partidos e mil cicatrizes atrás da pele.   

As melhores pessoas do mundo são as que estão metidas no avesso da minha vida.

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