03 outubro 2011

só não te perdoo que tenhas tido que me matar

Se, por algum acaso, já sabes para o que vim, porque continuas a cravar as tuas unhas na parede imóvel e estatica de casa?
Se sabes que não te posso tocar, porque insistes em abraçar o vento em busca do meu corpo?
Sabendo que não te respondo, porque me perguntas onde estou?
Se sabes, que até ao meu ultimo suspiro te amei, porque continuas a pedir-me perdão?
Dentro de mim guardo o carinho da hora em que me mataste. Foste agressivo, no entanto terno, soubeste colocar em cada golpe que desferias no meu corpo todo o amor que sei que sentias por mim.
Não me debati, digo-te, porque sabia que o que pretendias era alguma da tranquilidade que o que sentias por mim não te deixava ter, procuravas libertação, não raiva ou abandono.
Não continues nesse lamento histerico, não abraces a minha campa, é fria, dura e eu já lá não estou.
Vim só para te dizer adeus, porque quando me visitas, não consigo deixar de me comover com o quão preso tens estado à minha memoria.
Vim só para dizer adeus, porque mesmo depois de morta, quero com todas as forças que sejas feliz e gostava, se mo permitires, que me deixasses ficar-te na memória, para que permaneças na minha como o ponto de interrogação que sempre foste e quiseste ser. Não deixes que a minha morte às tuas mãos te guie no sentido contrário. O sentido contrario só te conduz para mais longe de mim.
Perdoo-te tudo, sempre o fiz. Só não te perdoo que tenhas tido que me matar para compreenderes que afinal me amavas e que hoje te tenhas esvaziado de tal modo que ficaste com a alma cheia de nadas.

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